“Poesia por rebeldia” nos põe a caminhar pelos cantos, por trilhas estreitas, esbarrando na irreverência, não só como palavra, mas como ideia e como sensação. Daí, mesmo quando surge alguma desesperança, há que se enxergar mais adiante o humor, a ironia, o erotismo, amalgamados como elementos naturais que se atraem e vão formando novos elementos raros e caros, à guisa da rebeldia, que não deixa a poeta perder o norte e nem desanimar, mas seguir em frente, revirando tudo, futicando feridas, mexendo em águas profundas e até então tranquilas, revolvendo o lodo e trazendo à tona a gema brilhosa aos nossos olhos incrédulos.
Assim é a poesia de Maria Inês do Carmo neste seu “Poesia por rebeldia”. É a palavra incinerando tabus, criando um levante na conjuração de sons e ritmos e novos significados, salpicada de irreverência e consciente do seu papel de nos provocar alumbramento.